A soberba cassista tem a ver com uma coisa: a crença de que era imbatível e que o povo o levaria, sem muito esforço, a uma vitória esmagadora, mesmo como candidato de oposição. O desgaste de RC de um lado e sua liderança de outro promoveriam um encontro feliz numa vitória inevitável. Cássio aceitou como verdadeira a sentença de muitos analistas políticos que creditaram exclusivamente ao apoio dado a Ricardo Coutinho as razões para a vitória do socialista, mesmo que os apertadíssimos resultados de suas vitórias sobre Roberto Paulino, em 2002, e José Maranhão, em 2006, uma na oposição e outra no governo, fossem eloquentes demais para demonstrar os limites da liderança cassista no estado. Como um mantra isso foi repetido à exaustão e Cássio foi incapaz de entender as verdadeiras razões que levaram RC à vitória em 2010.
Entre as razões para a vitória de RC em 2010 certamente estava o apoio de Cássio, mas havia algo que transcendeu aquela disputa e se prolongou até 2014 e, provavelmente, estará presente nas futuras contendas na Paraíba até que seja visível o suficiente para que ninguém mais tenha dúvida de sua relevância para a política paraibana. Enfim, o fator determinante que derrotou Cássio Cunha Lima em 2014 foi o mesmo que derrotou José Maranhão em 2010: esse irrefreável movimento de mudança na sociedade e no perfil do eleitor nordestino que anseia cada vez mais por uma nova política e por novos políticos no poder. Esse eleitor está nas grandes e médias cidades, tem acesso à informação proporcionada pela revolução da internet e anseia por novas práticas políticas que neguem, entre outras coisas, o familismo e a apropriação privada do que é público, pelo fim do velho toma-lá-da-cá que enfeia a política e a torna aos olhos de muitos uma atividade tão desprezível. Quem faz a grande política no estado e não compreender o alcance dessas mudanças vai ficar fora do jogo das disputas políticas reais e assumirá cada vez mais uma posição marginal. Porque esse é o grande paradoxo desses novos tempos: a negação e o desprezo pela política promove uma mudança desorganizada na cultura política. E a cultura política está mudando, por outras vias que não as criadas pela própria política.
(Rubens Nóbrega)



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