Demitido por Dilma na “faxina” ministerial do primeiro mandato,
presidente do PDT Carlos Lupi foi ministro do Trabalho de 2007 a 2011. A
pasta segue controlada pelo partido, que agora cogita abandonar o
governo Matéria do Estadão:
BRASÍLIA- Ex-ministro dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma
Rousseff e um dos “faxinados” do mandato passado, o presidente nacional
do PDT, Carlos Lupi, disse que os petistas “roubaram demais” e que o
partido deles “se esgotou”. “O PT exauriu-se, esgotou-se. Olha o caso da
Petrobrás. A gente não acha que o PT inventou a corrupção, mas roubaram
demais. Exageraram. O projeto deles virou projeto de poder pelo poder”,
disse Lupi um dia após a Petrobrás divulgar que a perda da estatal com a
corrupção chegava a R$ 6,2 bilhões.
A declaração foi feita durante um encontro com correligionários na
quinta-feira, em São Paulo. O Estado teve acesso à fala de Lupi, que foi
confirmada pelo próprio dirigente pedetista.
(…)
Aos correligionários, Lupi também reclamou do tratamento dado pelo PT
ao PDT desde que as duas legendas formalizaram a aliança em 2006,
quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputava a
reeleição. “A conversa com o PT, com o meu amigo Lula e com a presidente
Dilma, é qual o naco de poder que fica com cada um. Para mim, isso não
basta. Eu não quero um pedaço de chocolate para brincar como criança que
adoça a boca. Eu quero ser sócio da fábrica, eu quero ajudar a fazer o
chocolate.”
(…)
Planos. Procurado pelo Estado, Lupi confirmou o teor do discurso
feito na quinta-feira. Ele nega que o PDT pense em deixar a base aliada
neste momento. Acomodado no Ministério do Trabalho – cujo atual titular é
Manoel Dias –, o partido conta hoje com 19 dos 513 deputados da Câmara e
6 dos 81 senadores.
Ex-ministro do Trabalho, Lupi deixou o governo Dilma em dezembro de
2011, após uma série de denúncias de irregularidades envolvendo
integrantes da pasta. Apesar de o partido continuar no comando do
ministério até hoje, a relação entre PDT e PT está a cada dia mais
estremecida. Parte dos senadores do partido defende a saída imediata da
base do governo. Na Câmara, a bancada da sigla não tem mais seguido a
orientação do Palácio do Planalto na hora das votações.
Até agora, Lupi era apontado como o que mais resistia à ideia de
deixar a base aliada. Hoje, no momento em que o PT passa pela sua maior
crise desde que assumiu o governo, em 2003, o dirigente trabalhista
resume assim o seu sentimento: “A gente não quer ser um rato, que foge
do porão do navio quando entra a primeira água, mas também não queremos
ser o comandante do Titanic, que ficou no barco até ele afundar”.
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Política Hora 1



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